Um Ultimo - Ultima Poesia do Autor

Um Ultimo

ANTONIO MATEUS VILHENA AUTOR DA APRESENTAÇAO

APRESENTAÇÃO DO LIVRO EnconVoscoAve – É Bonito o Amor, DE MANUEL ÂNGELO OCHÔA
É meu dever exprimir publicamente ao Manuel Ângelo Ochôa, velho colega e amigo, a minha comovida gratidão pelo honroso convite que me dirigiu para apresentar o seu livro de poemas EnconVoscoAve – É Bonito o Amor, publicado no final de 2014 e no qual reuniu as composições que considera mais relevantes no conjunto das muitas centenas que tem escrito ao longo da sua vida.
Na redacção dos seus textos, recusou-se o nosso poeta a adoptar o novo acordo ortográfico, que fustiga violentamente, num registo linguístico que não é seu timbre e em que utiliza vernáculo português de cariz vicentino (“Do Absurdo Acordo Curdo”, pp. 182-183).
Hoje, nesta cidade e no ano em que se celebram os 250 anos do nascimento de Bocage, afigura-se-me adequado apresentar Ochôa de Castro recorrendo à leitura de um poema seu, um auto-retrato, cujo modelo é o famoso soneto bocagiano «Magro, de olhos azuis, carão moreno».
Ouçamos, então, esse poema:
Olhos castanhos, gordo, agreste cara;
meio duro dos pés; alta postura;
aspeito incerto, ou de alegria ou de tristura;
nariz dobrado a meio, feroz, torto;
ânimo vário, mais brando agora;
co’a idade inclinado a mover-se do coração ferido;
p’los cafés matando os dias;
a sorrisos gentis, não insensível, digo, a cândidas musas;
p’lo confesso tolerando padres:
Eis Ochôa: Luas asas lhe deram desta a devaneio. (p.157)

Os poemas deste livro, como todos os do autor, foram longamente sujeitos ao desbaste do seu insatisfeito cinzel, pelo que a sua linguagem não faz cedência a arroubos retóricos desenfreados, antes é, em regra, notavelmente contida, ponderada, vigiada, depurada, capaz de captar, com grande propriedade e concisão, a essência dos objectos, seres e lugares alvo da sua minuciosa contemplação. Algumas das composições são expressões nominais, que ocupam breves versos, implicando, com frequência, a completa descodificação delas atenta e repetida leitura.
Na sua obsessão pela procura da máxima perfeição estética, o escritor não enjeitará, por certo, o conteúdo de um passo do rascunho de uma carta (nunca expedida) que Fernando Pessoa (talvez em 1930) escreveu a Adolfo Rocha, o futuro Miguel Torga, rascunho esse no qual afirma que «nada há mais raro neste mundo que um artista espontâneo» (apud Cabral Martins, Introdução ao Estudo de Fernando Pessoa, p. 222).
O facto de recorrer, por vezes, a termos e construções muito cultos, de sabor clássico, ou a arcaísmos, a par de diversas expressões latinas, não deve induzir-nos a pensar estarmos em presença de um purista intransigente ou de um arcaizante, porquanto surgem, nos seus textos em escorreito e cuidado português, citações de linguagem dialectal, além de expressões em registo familiar e até versos em línguas estrangeiras, como francês, espanhol, italiano e inglês.
A leitura desta poesia revela um “eu” digressivo, deambulante, de natureza sensível e reflexiva, por vezes imbuída de intenção crítica, atento a tudo ao que ao homem diz respeito, que umas vezes se interessa pelo real circundante, saltitando – dir-se-ia – ao acaso entre os diversos elementos que o compõem, outras se eleva às alturas da mais profunda meditação e vivência religiosa, aqui e ali estimuladas pela observação / contemplação da própria realidade.
Ora desfilam diante de nós objectos de uso diário, como uma mesa, um cinzeiro, um radiozito, um isqueiro, uma esferográfica, um par de óculos, um relógio ou uma jarra iluminando-se numa mesa; ora o olhar é atraído por um seixo rolado, umas pedrinhas da calçada, uma cadelinha, um gato, um rato anafado, uma lebre saltadora, uma vaca leiteira, um pardalito, umas ramagens de girassóis, umas abelhinhas atidas às vivas flores rubras duma sardinheira, uma teia de aranha na parede esburacada, um melro inquieto e chilreante.
Melrinho fiel,
que cedo me visitas,
saltitando esvoaçante,
a cantarolar cantitos puros absolutos,
sílabas dum chão empedrado e turvo,
na antemanhã liberta das rosas:
Vou para filmar,
e idealizo uns planos picados
para acompanhar-te a divagação magnífica,
enquanto me deixas
por erva húmida, antes dum sol desconhecido. (p.177)
Aqui e ali deparam-se-nos situações e actores do quotidiano (um dos capítulos do livro intitula-se, significativamente, “Episódicos Circunstanciais”) que nos remetem, inapelavelmente, por analogia, para o universo poético de Cesário Verde: uma vizinha que perdeu o gato, um carteiro elogiando o presunto de Chaves, um contador da EDP nas suas demoradas leituras, um Conservador Municipal que abanca com a esposa a devorar um gelado, uma rapariguinha trabalhando num pub, um cobrador das quotas do CCS, um grupo de varredoras da Câmara Municipal, uma partida de estudantes do Liceu em viagem de finalistas a Espanha …
Por vezes, todavia, como se lê num eloquente texto das pp. 136-137, impõem-se ao olhar do eu lírico espaços largos, amplos:
[…]
Uma saudade,
um chamamento
para lonjura,
montanha, ar,
lua, ribeira. (p.137)

Nesta linha surgem belos poemas como o seguinte, em que o expandir-se do espaço aparece associado ao sonho e à liberdade:
Aves divagam lonjuras,
pairam por cima da planura, enlevam-me,
desvanecem-se
para lá do ar voado,
deixando-me saudoso
do curso da sua deriva,
matéria antes sonhada. (p. 159)
Entre os espaços incluídos em vastos horizontes de observação merecem destaque cidades, vilas e outros lugares, cuja essência é transmitida com a já aludida parcimónia de expressão, constituindo exemplos paradigmáticos desse facto o capítulo VI, “Périplo Navegante” (pp. 21-33 e 37-40), e o capítulo XIII, “Estações do Peregrino” (pp.139-143).
Detenhamo-nos, agora, em algumas composições alusivas à cidade do Sado e aos seus encantadores e celebrados arredores:
Setúbal: Desterro, refúgio, gozosa liberdade. (p.12)
Miradouro, Castelo de Palmela:
Sob fogoso sol, serena baía. (p.22)
Bonfim
mói calmas. (p.28)
Enquanto o Sado azula ondulações,
gaivotas bicam peixe à flor da água.
A amplo espaço abre-se o olhar
que à fera novidade vai. (p.83)
Largo de Jesus
à chuva dum Verão,
distanciando-se a
pequena mão
da menininha,
num aceno ao pai,
que resolve uns
pasmos estremecidos. (p.116)
Tarde descobri a Serra Arrábida,
onde está prà alma doce enlevo.
Tarde a descobri, mas ainda a tempo
de seu abraço gozar, divino enleio.
Branda me desfrute, íris dum mirar,
branda me enlace, sonho realidade,
brando me frua o seu frolido ar,
arqueada onda da saudade,
o meio-dia sem ocaso a clarear. (p. 167)
A já referida sobriedade de Ângelo Ochôa no uso de meios linguístico-literários está bem patente, por exemplo, na forma sábia como define a essência quer da obra dos muitos escritores por si lidos e meditados, quer da personalidade de outras importantes figuras sobre as quais paciente e amorosamente se debruça e cujo rasto é inquestionável no seu universo ideo-estético.
Corroboram este meu ponto de vista alguns exemplos colhidos no poema “Nomes” (pp. 53-56), ao aludir, entre outros, a Junqueiro, Simone Weill, Antero, Juan Jamon Jiménez, Dante, Teresa d’Ávila, Carlos de Oliveira, Camões, Sophia, António Maria Lisboa, Ruy Bello, João XXIII, José Régio, Camilo Pessanha, Cesário, Afonso Duarte, Sebastião da Gama, Cecília Meireles, Júlio Resende.
O “diálogo” persistente com grandes nomes das letras e da cultura do nosso país, assim como de outras nações, deixou vestígios bem visíveis num número significativo de poemas em que a intertextualidade é de tal forma assumida e notória que, nos versos iniciais ou intercalares deles, o autor cita passos de vários escritores, que funcionam como fonte ou pedra de toque.
Limitamo-nos a indicar alguns exemplos:
‘Meus amigos, que desgraça nascer em Portugal.’ (p. 84)
(A. Nobre)
‘Sol nulo dos dias vãos,
cheios de lida e calma’ (p. 90
)
(F. Pessoa)
‘Remorso comigo mesmo, Portugal.’ (p. 96)
(A. O’Neill)
‘Tiram ouro do nariz os poetas’ (p. 157)
(Manuel Bandeira)
‘Num sonho todo feito de incerteza,’ (p. 158)
(Antero)
‘Minha mesa de café.
Quero-lhe tanto, a garrida.
Toda da pedra brunida.
Que linda e fresca que é.’ (p. 158)
(Sá-Carneiro)
A vida, par por ternura:
‘A vida é feita de nadas
grandes serras paradas.’ (p. 159)
(Miguel Torga)
Não era o vulgar brilho da beleza,
era outra luz, era outra suavidade.’ (p. 159)
(Antero)
‘Sôbolos rios que vão
por Babilónia, me achei.’ (p.160)
(Camões)
‘Eu cantarei d’amor tão docemente,
em uns termos em si tão concertados,’ (p.161)
(Camões)
‘Maravilha fatal da nossa Idade, irrompas Cavaleiro.’ (p.162)
(Camões)
O poeta das fundas olheiras chorosas:
‘Só, incessante, um som de flauta chora.’ (p.163)
(Camilo Pessanha)
‘Aquela triste e leda madrugada,
enquanto houver no mundo saudade’ (p.164)
(Camões)
‘… Dos largos males breve história…’ (p.169)
(Diogo Bernardes)
Refira-se entre parênteses que dois poemas do livro constituem uma paráfrase literária, talvez melhor uma reescrita, de cantigas de amigo muito representativas da lírica trovadoresca:
Que choras, amiga,
à fonte fria? (p.163) (D. Dinis)
Sedia-m’en San Simion,

acercam-se-m’ondas,
grandes que son. (p.165) (Mendinho)
O “convívio” com outros escritores assume, aqui e ali, uma faceta mais explícita, através da nomeação, interpelação ou interrogação:
Manuel Maria:
Doída eternidade,
doido coração, és minha.
Zoilos, zarpai.
Abraça-me a Rainha. (p. 37)
Enquanto enrolo
com tabaco
a dita mortalha,
não fumo por ora
o fumável cigarro.
Já me fui fumando
a vida toda.
Por outras palavras
um tal Pessoa disse.
Morro-me instantes lentos,
devaneios.
No vagar de ir
a paisagens invisíveis.
Até que pare de subir a água
a poço da canção,
e chegue na final estação
o brinquedo coração. (p.41)
Tu outra vez, fatal Pessoa? (p. 61)
A mais pujante fonte de inspiração, o mais vigoroso núcleo de intertextualidade dos poemas de Ângelo Ochôa, e que o torna sobretudo um sólido poeta de estirpe religiosa e mística, é a Bíblia, particularmente o Novo Testamento, a par da voz de figuras relevantes da história da Igreja, como S. Francisco, Santa Clara de Assis e Santo António (os maiores vultos do Franciscanismo):
Francisco, António, Clara,
repeti
connosco
um canto
ao irmão sol,
à lua irmã,
às estrelas altas,
preclaras,
belas. (p. 145)
A sua obra de mais alto quilate, onde a linguagem poética mais se espraia, embora muito trabalhada, é exactamente a que se nutre da seiva místico-religiosa, aquela em que poesia se identifica com oração ou é veículo para a paz:
Poetar é rezar,
levar a céus e terra
versos magoados.
Amor é animada ciência
de ter Deus,
sentido para quem abrasa a só candura.
[…] (p. 86)
Os sons enchem o poema,
moram dentro,
serenidade construtora;
entranhada pólvora para paz,
tudo fecundam;
[…] (p. 74)
Ainda que ajude a suavizar «decepcionantes ilusões», «dias vãos», qualquer «vazio imenso borbulhante», o desalento de quem se senta em casa, parecendo-lhe «não haver mais nada a fazer do coração», ou à mesa do café se vê como um burocrata mobilizando fúrias – apesar deste lenitivo, ia eu a dizer –, poetar apenas adquire o seu verdadeiro e pleno significado quando é veículo de prece, contricção, fé e louvor dirigidos Àqueles que constituem as pedras angulares do edifício que é a vida de alguém que se esforça, sem tréguas, apesar de todos os desânimos e lacunas, por ser um verdadeiro cristão.
E essas pedras angulares são Deus Pai, Jesus Cristo, Sua encarnação, a Virgem Maria e os santos ou outras figuras que, servindo de exemplo a outrem, interiorizaram e puseram em prática os exemplos dEles, de forma a evitarem a existência dos chamados «túmulos caiados»:
Jesus,
inspecciona-me a que ande sempre em Tua luz.
Volte de novo a comportar-me como menino.
Nada perca da graça que me dás.
Respire louvor minha oração de água corrente.
Cada gesto meu Te seja aprazível oblação.
[…] (p. 148)

Mãe,dissesTe pra parar.
Repetidas vezes ouvi a linda voz que bem entendo;
mas reincidi teimando.
Cale agora o sussurro rouco, a confusão,
a turva inquietação, logro meu.
Soe simples louvor a Teu Silêncio Imenso.
Obediente paciente amiga, perdoa.
Recomece, determinado, a aprender morrendo. (p. 175)
Louvar a Deus é sinónimo de paz, vivência para a qual os poetas dão o seu inestimável contributo:
Os poetas pararam.
Ao mesmo tempo
tiveram a mesmíssima inspiração:
O ventinho que soprava
era a grande paz. (p.62)
Paz, fraternidade, harmonia e amor universais alcançar-se-ão, partilhando Deus como «um pai, única mãe», que «iluminará sorrisos em todos os meninos» (pp. 155-156).
Aliás, na poesia em apreço adquire lugar de relevo a infância, seja a de Jesus (p.131), como motivo de enlevo, seja a de uma «criança palestiniana fardada de kamikaze » (p.60), causa de indignação face à vileza de manipuladores, ou a do sujeito poético, pincelada em tons que oscilam entre a nostálgica recordação e o indelével encantamento:
A tarde toda o avô contava histórias.
Aturdidos, ensonados, na infância dos sonhos,
devorávamos o mel à narrativa, que sempre concluía:
Ainda além vai a raposa, a correr a sete pés.
O avô apontava para um longe:
Meus olhos arregalavam-se
para o mais pra lá da abrasada varanda:
Eram montes sobre montes,
insolados, quentes, graves dorsos,
arrasando-os maravilhada aridez. (p.118)

As crianças assumem um papel tão significativo no universo do poeta que, na sua perspectiva, sempre que os homens omitirem Jesus, elas, na sua simplicidade e candura, Lhe proclamarão bem alto a existência (p.129).
A fraternidade indissociável do verdadeiro espírito cristão não fica indiferente aos ensinamentos e exemplos divinos, em nome da dignificação dos homens e de uma crescente aproximação, paz e justiça entre eles:
O miolo do pão:
Bem se afadigam lavradores a sol escaldante
lançando na rasgada terra mínimas sementes.
Bem se dão incansáveis ceifeiras,
com golpes certos, à seara.
Malha-se na eira,
destrinçando na palha loiras espigas
e nas loiras espigas precioso grão.
Mós remoem o que será terna farinha.
Afanam-se aclarando a noite empoados padeiros:
Amassadas, a forno levam fornadas e fornadas.
Inquietam-se motoristas e ajudantes:
Em carrinhas brancas trazem bênção à alta antemanhã.
Cuidam comerciantes em abrir portas
pra darem a dinheiro desejado pão.
Cristãos rezamos aO Pai para o pão quotidiano nos prover,
porém no planeta da fome produz-se armamento e falta o bem pedido.
Homem de boa vontade, olha o pão:
Quando o partires, julgues tu que ninguém ouve, diz obrigado.
Talvez por sorte coração magoado multiplique por mil o cereal grão
até aos irmãos desesperados,
recôndita alegria. (p.93)
Seguindo esta mesma linha de pensamento, o sujeito poético proclama entusiasticamente:
Na encruzilhada de todos os caminhos
estou eu com Deus esperando os irmãos para abraçar.
Desvairadas gentes, donde venhais, para onde vades, eu sou vosso,
com o coração posto no sangue redentor que vos envolve e me ama,
o sangue eucarístico que me alimenta os dias.
Estou na encruzilhada de todos os caminhos
para abraçar o irmão que vem - na luz do amor. ( p. 181)
Este poema justificaria, por si só, a sábia opinião expressa por Maria Alzira Seixo sobre o autor da produção poética em análise, se bem que a ilustre estudiosa não refira explicitamente os capitais fundamentos de natureza místico-religiosa da obra:
«O Ângelo Ochôa é um solitário solidário que, na sua poesia, abraça, com apertado abraço, o inteiro humano mundo, do qual nenhum aspecto se lhe afigura estranho ou despropositado» (contracapa).
Encontra-se, no livro do autor, um poema, cuja inspiração é colhida nas célebres redondilhas camonianas “Sôbolos rios que vão” e que consideramos fundamental na definição do seu ideário:
Programa eterno:
Da criatura amar o criador.
E ir da particular beleza para a beleza geral. (p. 186)
Ângelo Ochôa esboça até uma utopia, que, à luz do catolicismo, apresenta uma clara tonalidade heterodoxa:
Quando o Reino de Deus chegar de vez,
os padres ficarão desempregados,
o Papa entreter-se-á
um tempo imenso
a fazer bolinhas de sabão. (p. 56)
Mas não corramos o risco de, incautamente desenraizados da realidade, ficarmos de imediato a entrever o mundo inteligível, a ver aproximar-se a concretização do ideal e da utopia, indefinível e inalcançável por natureza, a não ser para um número restrito de eleitos; imaginemos apenas, por breves momentos, que num dia longínquo se alcançará o «novo mundo» (p.155) por que tanto anseia o poeta e tantos outros homens e que nele reinarão a harmonia, o encantamento e a ternura que impregnam o magnífico poema com cuja leitura vou terminar esta minha intervenção e que testemunha a pacificante vivência do amor, apesar de acontecido neste nosso mundo tangível e tão imperfeito:
Trouxeste sabor a mel a meus momentos desolados.
Devolveste-me ternura ao olhar magoado. Obrigado.
Se algo te dei, em breve cambiar palavras, ou num jeito de atrapalhação,
guarda-o para ti, como eu guardo a graça que me deste, e nem sei dizer.
Os passeios que dávamos, antes da doença a consumir-nos exaustos.
Ao repetir teu nome sei, trazido de volta,
o tempo das gloriosas primaveras.
Foi bom rever-te, agora que regressaste à cidade plana,
repleta com o eloquente azul do teu olhar,
por onde se entornou o vinho dos sonhos. (p.112)

APRESENTAÇÃO DO LIVRO EnconVoscoAve